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quarta-feira, 8 de outubro de 2025

Mais um que partiu!

 E já foi no ano passado, mas agora eu tive conhecimento.


O João Camarada tem uma história que vale a pena contar. A sua vida como fuzileiro não me merece nenhuma apreciação, favorável ou desfavorável, o que já não acontece como homem, como desportista ou como amigo.

Ele fez, como eu, parte da CF2, a primeira Companhia de Fuzileiros a pisar terras moçambicanas. Aos bochechos, desde o início de Outubro até ao fim de Novembro do ano da graça de 1962, os cerca de 150 homens da Companhia foram chegando transportados em aviões da FAP. Foram 4 aviões Dakota carregados de homens e material, eu segui no terceiro voo que foi o mais atribulado de todos. O motor começou a engasgar-se no troço entre Bissau e Luanda e ali chegado foi desmontado para rectificação. Ficámos à espera, durante longos (e saborosos) 17 dias, na praia da Ilha da Floresta, que o avião ficasse pronto para retomar a viagem.

Não me recordo de o João ter voado comigo, diria que ele já estava no Aquartelamento da Machava, quando lá cheguei, no dia 2 de Novembro. Ele e eu éramos de pelotões diferentes e não me lembro de alguma vez me ter cruzado com ele nos serviços de guarda que fazíamos a cada 3 dias dias e em que se estreitavam os laços de amizade existentes. Horas e horas seguidas de sentinela serviam para partilhar coisas pessoais que fortaleciam a camaradagem.

Em Lourenço Marques era comum os marinheiros engatarem namoradas vindas da África do Sul, durante os períodos de férias. A praia do Miramar ou o Parque de Campismo aí existente facilitavam esses engates. Não sei se o João conheceu assim a sua mulher, mas sei que, a páginas tantas, pediu autorização para gozar uma licença nesse país que faz fronteira com Moçambique. E passou essa licença com uma namorada com quem viria a casar e ter filhos, salvo erro dois rapazes.

Depois de terminada a comissão de serviço da CF2, ele pediu para passar à disponibilidade e foi ter com ela e lá se casaram. Depois da independência de Moçambique, assim como da África do Sul que era uma colónia britânica, o casal achou por bem rumar a Portugal, onde se vivia em liberdade e sem perseguições de qualquer espécie. Mas a vida em Portugal não se mostrou fácil e acabaram por rumar à América como emigrantes.

Uma coisa fez dele um homem famoso, nos Estados Unidos. Muito dedicado ao desporto do Atletismo ele meteu na cabeça atravessar o continente americano, do Atlântico ao Pacífica, em passo de corrida. Apareceu nas notícias várias vezes, como desportista radical, ao longo dos muitos dias que levou a percorrer os 3.000 Kms que separam as duas costas.

Como amigo ele era também especial, não havia quem não gostasse dele. Não se lhe conhecia qualquer inimigo, nem nos fuzileiros ou na vida civil. Era o que se pode dizer, um homem pacífico. Nos convívios que realizei, tentando juntar todos os velhos camaradas da Companhia ele sempre apareceu, nem que fosse apenas para dizer que não podia vir, seja por que razão fosse. Uma das razões, eu sabia, era económica.

Regressado dos Estados Unidos, ele arranjou emprego, em Vila Real de Santo António, como motorista dos barcos de recreio que passeavam os turistas pela foz do Guadiana, ou iam até Espanha comer ou beber algo diferente do que havia do nosso lado. Não ganhava grande coisa e como a mulher não trabalhava, ele andava sempre com os bolsos cheios de ...cotão.

Os filhos, ainda nascidos na África do Sul, não se ambientaram muito bem por cá. Depois de muitas peripécias e dificuldades sem a ajuda dos pais, decidiram regressar à sua terra de origem e procurar lá a sua sorte. E foram eles que sabendo da situação apertada do pai (e da mãe), com a saúde a piorar a cada dia, decidiram levá-los para lá, onde o meu camarada fuzileiro veio a falecer pouco tempo depois! 

 

domingo, 24 de agosto de 2025

O Cação de Almeirim!


Ontem, recebi uma notícia inesperada, vinda de Moçambique. O nosso camarada de comissão na CF2 que recebeu o número de matrícula na Armada 16358, em Março de 1962, de seu nome Joaquim Manuel Cavaleiro Rodrigues Cação, conhecido pela alcunha de "Almeirim", recebeu a Guia de Marcha para se apresentar na Unidade comandada por S. Pedro e a essa ordem ninguém pode desobedecer. Nem tempo há para meter os nossos pertences pessoais no saco/mochila, é apenas responder "pronto", dar um passo em frente e "ordinário marche"!

Rapaz bem disposto, como convém a um ribatejano, ele trazia sempre um sorriso afivelado no rosto. Não convivi muito com ele, pois estávamos colocados em pelotões diferentes e, mais tarde, ele foi fazer o Curso de cães de guerra, em Boane, e pouco depois fui eu destacado para o Niassa. No fim da comissão, eu embarquei no Infante para regressar a Lisboa e ele ficou por lá, até ter ensinado os seus saberes aos rapazes da CF6 e passar-lhe a responsabilidade pelos fuzos caninos que passaram a integrar a Companhia.

Uns meses depois, suponho que antes do Natal desse longínquo ano de 1965, ele regressou a Lisboa e pelo que consegui saber, por informações de terceiros, ele abandonou a Marinha, casou-se e voltou para Moçambique. Não sei se foi o seu primeiro emprego, mas sei que começou a trabalhar para os serviços de água da Câmara de Lourenço Marques. Na altura da independência, ele regressou a Portugal com a mulher e família (duas filhas).

Mas não se deu bem por cá e quis voltar para Lourenço Marques, cidade já denominada como Maputo. A mulher não o quis acompanhar e divorciou-se dela. Conseguiu reaver o seu antigo emprego, nos serviços municipalizados e aprendeu a dizer amén a tudo que a Frelimo queria ou dizia. Era uma questão de sobrevivência, ou aceitar essa situação ou teria que regressar a Penates.

Acabou por constituir uma nova família e ficou a viver na Matola. Sei que ele teve 3 filhos, um rapaz e duas raparigas, dessa ligação. Um dia, por mero acaso, encontrei a filha mais nova no Facebook, uma amiga dela e vizinha pôs-nos em contacto e assim nos mantivemos até hoje. Por falar nisso, há muito que não tenho notícias dessa amiga, acho que se casou e foi morar para o norte.

O nosso amigo comum, Mário Lima (16480), também foi procurar a sua sorte, em Lourenço Marques, e chegou a partilhar com ele um quarto, onde moraram juntos por algum tempo. Depois, cada um seguiu o seu destino, veio a independência e o Mário nunca mais pensou em Moçambique. Ontem, publiquei, no Facebook, a notícia do falecimento do nosso camarada e sei que ele já leu a notícia. Não conheço mais ninguém a quem deva passar esta informação e por aqui me fico.

Aí está ele, por trás do Elvas que está sentado no chão

Quando perguntei à sua filha a causa da morte, ela limitou-se a dizer-me que ele andava, há tempos, com problemas de hipertensão e, de repente, apagou-se, não sofreu muito, disse-me ela. Talvez não tenha sido medicado como deve ser ou não tenha cumprido as indicações médicas, coisa que não me causaria espanto tratando-se de um país africano.

Entretanto, descobri que um irmão dele, salvo erro de nome Manuel, que morava nas Fazendas de Almeirim já faleceu também. O Mário (Santarém) talvez não saiba disso, mas ficará a saber Quando e se ler esta minha publicação. E resta-me apenas dizer, a respeito do amigo e camarada Almeirim, que a terra lhe seja leve e Deus lhe tenha reservado um bom lugar! 

 

terça-feira, 6 de maio de 2025

Lembram-se do «Cabeças»?

 


Durante o convívio do passado fim de semana, em Fátima, fui informado que este nosso camarada já faleceu, há bastante tempo.

Foi meu colega de algumas aventuras, em Lourenço Marques. Ele, o Marlon e o Floriano e até o Paixão eram bons para assar, por isso não admira nada que nos juntássemos todos, quando saíamos de licença. O Floriano já lá está com ele, na equipa treinada pelo S. Pedro, enquanto nós resistimos a ir ter com eles. Mas um dia chegará a nossa vez e aí não há outro remédio senão embarcar!

Mais uma dúzia de anos e estará a CF2 completa numa formatura bem alinhada às ordens do Criador!

quinta-feira, 6 de março de 2025

Sérgio Rego (16593)!


 Este filho da escola que esteve comigo, em Moçambique, na CF2, depois de frequentar o Curso de 1º Grau seguiu para a Guiné, incorporado na CF9, e ficou guineense a partir daí! Não posso garantir que seja assim mesmo, mas ouvi dizer que foi uma mulher que lá conheceu que o fez regressar uma vez após outra, tendo completado 4 comissões naquela antiga colónia portuguesa. Possivelmente, só o fim da guerra e a independência o fizeram voltar a Portugal.

Enquanto lá esteve, tirou a carta de condução e transformou-se em condutor, em vez de ir para o mato, como mandam as regras dos fuzileiros (marinheiros do mato). Iria jurar que abriu mesmo uma escola de condução, onde funcionava como instrutor nas horas vagas. De qualquer modo, foi essa a sua profissão, quando regressou da Guiné e ficou a viver no concelho do Seixal (ou Almada, não tenho a certeza).

Mas o seu problema (se lhe posso chamar assim) foram sempre as mulheres, uma reteve-o na Guiné, durante 6 ou 7 anos. Depois casou-se com uma antiga namorada que tinha deixado lá em Trás-os-Montes, quando veio para a Marinha. Depois arranjou namoro com outra que vivia no Canadá e era casada, com quem chegou a viver e lhe deu uma filha. Como essas duas (ou três) não fossem suficientes, arranjou outra com quem viveu mais tempo e partilhou um negócio de Pronto-a-Vestir.

Como gostava de viver rodeado de mulheres, arranjou uma meia dúzia de raparigas com habilidade para a costura que com ele e a sua nova conquista feminina faziam girar o negócio da roupa, ora comprando e vendendo, ora dedicando a arranjos e acertos de medidas em roupa comprada noutro lado. Clientes não lhe faltaram, tanto quanto me contaram.

No mês passado, faleceu num Lar onde tinha sido internado, uma vez que a saúde não lhe permitia viver sozinho que foi como acabou, depois de ter vivido e dormido com tantas mulheres. Soube que uma das suas filhas esteve com ele, nestes últimos tempos, parece-me que era a filha da tal canadiana que depois da aventura com este filho da minha escola, regressou para os braços do marido, no Canadá.

Com filhos de 3 mulheres e alguns bens que conseguiu reunir ao longo de uma vida de quase 84 anos, vai obrigá-los a andar pelos tribunais para resolver o problema das heranças. Uma casa que chegou comprar na sua terra natal, acho que ficou para a sua primeira mulher e namorada dos tempos da juventude, a qual continua a viver em Trás-os-Montes, Carrazeda de Anciães, se não estou enganado.

Na sua carreira militar, na Marinha de Guerra, atingiu o posto de sargento (suponho que 1º ou Ajudante) e assim foi reformado, mas era do negócio, Escola de Condução, Pronto a Vestir, etc., donde lhe vinham os maiores rendimentos, os quais lhe permitiam uma vida com certas larguezas. Não se pode dizer que não gozou a vida, o pior foi a saúde que lhe faltou nestes últimos 10 anos.

Estive com ele, pela última vez, num convívio realizado em Montemor-o-Novo, no ano de 2010, já lá vão quase 15 anos! Agora não o verei mais, a não ser quando chegar, ao sítio onde ele foi parar agora, se é que isso existe. Há quem não acredite noutra vida, depois desta, e eu, confesso, também tenho as minhas dúvidas.

Seja como for, ao fim de tantos trabalhos que Deus lhe garanta o descanso eterno e lhe perdoe os pecados que foram muitos!

sexta-feira, 3 de janeiro de 2025

Ano Novo, vida de sempre!


Em todos os convívios que organizei tentei convencer os camaradas fuzos a ir dando notícias e dar o meu contacto a um seu familiar para me contactar se o pior acontecesse. Eu não posso ligar a todos, seria incomportável na minha conta telefónica, mas vocês só têm que fazer uma chamada cada um para eu ir recebendo notícias e actualizar a minha informação que vou publicando, sempre que se justifique, para que chegue ao conhecimento de todos, dizia-lhes eu.

De pouco valeu o meu aviso repetido vezes sem conta. Os anos sucedem-se a uma velocidade estonteante e os amigos vão passando para outra dimensão sem me avisarem. Se e quando eu morrer avisem os amigos, a família não é preciso, pois mal seria se não estivessem a par do meu estado de saúde. Há 15 dias soube da morte do 21 - era assim que os camaradas da CF2 lhe chamavam - e hoje passei pelo cemitério da freguesia onde morava o Ruço para vos trazer uma foto da sua placa fúnebre.

Ele morava aqui bem perto de mim, mas nunca se deu ao trabalho de aparecer. Eu ainda lhe dei boleia, uma vez ou duas, para os nossos convívios, mas isso não lhe criou o hábito de me ligar no Natal, ou noutra ocasião qualquer. Gostaria que ele me tivesse ligado a perguntar: - então, este ano não há convívio? Mas não, nunca ligou e quando eu achei que já tinha passado tempo demais, fui à sua procura e soube que tinha falecido.

Hoje, para começar o ano com uma boa acção passei pelo cemitério da freguesia onde ele morava e fui à procura da campa. Com alguma sorte teria lá uma foto que eu poderia fotografar e publicar aqui. Deu-me algum trabalho para localizar a campa, mas lá consegui e trouxe comigo a foto que lá tinha, repartindo a sua última morada com a esposa que tinha já falecido uns anos antes.

Vou já avisando que a foto é bastante antiga, ele agora estava mais gordinho, coisas da reforma. E pronto, por agora é tudo que tenho para vos contar. Haja saúde que na nossa ideia é o bem mais precioso e um FELIZ ANO NOVO para todos que passarem por este espeço que partilho convosco!

terça-feira, 24 de dezembro de 2024

O Lousa!

 


Dono de um físico impressionante o Lousa gostava de defender os mais fracos. Uma vez, não me lembro a propósito de quê, ele veio ter comigo e disse-me: - se ele te bater avisa-me que eu dou-lhe cabo dos cornos!

Estamos em maré de Natal e, como é própria desta época festiva, trocam-se telefonemas entre os amigos que ainda se vão lembrando de nós. Há poucos minutos, ligou-me o Xabregas e depois dos cumprimentos da praxe e dos votos de Boas Festas, fui-lhe perguntando o que sabia dos camaradas mais velhos, alguns dos quais já passaram pelo 84º aniversário, e contou-me ele que o Manel Lousa já não é deste mundo. Como é costume dizer-se, foi na vez dele e deixou-nos para trás!

A bem dizer, eu só convivi com este camarada, quando fomos para Metangula, em Setembro de 1964, até aí não me lembro de nada que nos ligasse. Houve tempos em que ele, depois de ter tirado a carta de condução, fez alguns serviços como condutor, lembro-me dele num jeep a levar a Guarda aos postos mais afastados, como, por exemplo, as Transmissões, para além disso ... nada!

De qualquer modo, cumpre-me o dever de dar esta notícia aos restantes membros da nossa Companhia que vão resistindo e já não são muitos!

sábado, 21 de dezembro de 2024

Menos um - actualização!

 


Ontem, passei por Barcelos e pareceu-me mal não ir à procura de notícias do 21, era assim que os filhos da sua escola o tratavam (18221). Sem surpresa, fiquei a saber que tinha já falecido, em 2014. Não fazia ideia que já tinha passado tanto tempo desde que estivera com ele e a sua nova mulher mo hospital de Barcelos.

Na altura ia acompanhado pelo Zé Correia e pelo Salvador Barbosa, eles é que eram, realmente, os amigos dele, eu apenas servi de taxista. Em Moçambique, nunca me lembro de nos termos cruzado em serviço. Enquanto que o Artur  (Twist) e o Vitorino fizeram muitos serviços comigo, ele não, devia pertencer a outro pelotão.

Quando o meu pelotão foi para Metangula, em Setembro de 64, ele ficou para trás e depois do nosso regresso a Lourenço Marques, já a comissão estava no fim e foi tempo de fazer as malas e apanhar o Infante D. Henrique.

Depois da Marinha, na sua vida civil, ele foi emigrante no Luxemburgo e só regressou a Barcelos depois de enviuvar e ter sofrido um, ou vários, AVC que o deixou em muito mau estado. Só conseguia caminhar arrimado a um pau, com a bengala não conseguia equilibrar-se, e mal conseguia falar. A mulher com quem se casou tinha a doença dos pezinhos e deu-lhe 3 filhos todos com o mesmo mal.

Após ter ficado viúvo, teve a sorte de arranjar uma nova mulher que o ajudou a suportar a sua invalidez e lhe facilitou a vida, enquanto por cá andou. A sua filha, a mais velha dos 3, já faleceu também. Dos dois filhos, o mais novo foi o primeiro a ser transplantado e leva uma vida, digamos, normal. O mais velho também foi transplantado, mas, talvez porque a doença já tinha alcançado um estado muito avançado, não tem a mesma qualidade de vida do seu irmão.

E é assim a vida, a nossa Companhia está quase a alcançar um número de baixas igual ao dos que continuam por cá. E há uma meia dúzia deles que desapareceram do meu radar e não posso garantir que estejam ainda vivos. Para quem cá estiver desejo um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo, aos outros que descansem em paz e Deus os não abandone!


quarta-feira, 11 de dezembro de 2024

O Ruço!

 No início de 1964, foram chamados à Metrópole todos os cabos da CF2 que estavam em condições de concorrer a sargentos. A maioria, senão todos, eram fuzos concorrentes que tinham vindo de outras especialidades para mais rapidamente ascenderem na carreira militar. Nos seus antigos quadros talvez nem cabos fossem ainda, nos fuzileiros seriam sargentos todos os que terminassem o curso com aproveitamento.

Uma tal razia no pessoal fez com que o Comando Naval pedisse a Lisboa que enviasse substitutos para tomarem o lugar dos que regressaram para frequentar o curso. Como Cabos era coisa que não existia, foram enviados 9 2º Grumetes para ocupar o lugar. Os recém-promovidos a Marinheiros (todos filhos da escola de Setembro de 61) ocupariam o lugar dos Cabos até que a Companhia completasse a comissão, o que estava previsto para antes do Natal desse ano.

Os dois primeiros nomes da lista acima não faziam parte desse lote, tinham já vindo anteriormente para render dois "maus" elementos que regressaram à Metrópole para cumprir penas de prisão. Um deles, por ser voluntário, seria expulso da Marinha após cumprimento da pena. O outro, conotado com o Partido Comunista, andou por lá a amargar os seu dias, até levar baixa.

Mas, voltando aos 9 grumetes que foi o que me trouxe aqui, recebi notícias que o último da lista, Zé Correia, mais conhecido pela alcunha de Ruço, tinha falecido. Ele não morava muito longe de mim e, de vez em quando eu passava por casa dele para saber notícias. Da última vez que lá passei, encontrei a casa fechada, o que me pareceu esquisito, e dirigi-me a uma vizinha para pedir notícias. Talvez ele ou a mulher tivessem falecido e o sobrevivente fosse viver com um dos filhos (eu sabia que ele tinha dois).

Infelizmente não era o caso, a vizinha lá me foi contando o que são as tristezas desta vida, quando a gente chega a velho e não vende saúde. Um deles morrera primeiro e o outro, doente e sozinho, depressa lhe seguiu o destino. Numa questão de poucos meses, ambos morreram e a casa ficou vazia. Se não estou em erro, ele era de 1942, portanto não muito velho ainda, mas isso não quer dizer nada, a malvada quando aparece não aceita recusas.

Como se pode ver pela cor com que pintei os seus nomes, dos 9 há já 4 falecidos. Dos 5 restantes só tenho notícias do Artur Teixeira que vive na Suíça. Dos outros, havia dois que eram doentes crónicos, o Eduardo Cardoso, diabético há muitos anos, e o António Barbosa incapacitado com uma série de AVC's que o deixaram totalmente dependente de terceiros.

Os outros dois, de quem perdi o rasto e não tenho notícias, há muitos anos, um morava nos Estados Unidos, zona de Newark, e o outro em Odivelas. Não estando eles muito interessados em dar notícias, quem sou eu para obrigá-los?

E assim ficou a CF2 mais pobre com um novo elemento destacado para «as hostes celestiais»!

 

quarta-feira, 9 de outubro de 2024

O Bento!

 


O meu camarada Bento era alentejano, ouvi dizer que da aldeia de S. Bento, mas talvez isso seja confusão com o seu nome próprio. Na minha recruta era do último pelotão da segunda companhia, enquanto que eu era do segundo da primeira companhia.

Isso significa que era muito raro cruzarmos um com o outro. Nas aulas, nunca, na formatura ele ficava a 250 homens de mim, no refeitório eu ficava logo à entrada e ele na penúltima mesa, lá ao fundo, nas saídas de licença ainda menos, nunca me esbarrei com ele em lado nenhum dos que eu frequentava.

Depois partimos juntos para Moçambique. Juntos é como quem diz, pois ele foi num avião e eu fui noutro. Lá chegados ele acantonou na Caserna Nº 1, dita dos alentejanos, e eu na Nº 2 com malta mais diversificada. Também lá continuamos separados, pois como entrava de serviço um pelotão de cada vez, eu estava de folga quando ele estava no posto.

Mais tarde, acabada a guerra para mim, passei à disponibilidade, enquanto ele continuou a carreira e a participar na Guerra Colonial, até ao 25 de Abril.

Em 2002 comecei a aparecer nos convívios dos Filhos da minha Escola e lá o reencontrei. E quando comecei a organizar os convívios da Companhia 2, lá compareceu um par de vezes. Falhou muitos, pois só ia se houvesse um autocarro organizado para levar a malta, coisa que eu nunca consegui fazer.

Agora partiu para outra dimensão e nunca mais o verei. A sua mulher tinha já falecido, há uma boa meia dúzia de anos, deixando-o muito afectado, Pelo menos acabou esse sofrimento, visto que foi juntar-se a ela. Que descanse em paz, é tudo o que posso desejar-lhe agora!


sexta-feira, 24 de novembro de 2023

O último sargento da Companhia!

 


Resistiu até onde pôde, mas assim como foi o último ano já não valia a pena. Passou mais tempo no hospital - e no bloco operatório - que noutro lugar qualquer. Infecções sucessivas no trato urinário fizeram-no sofrer muito e a morte acaba por ser uma libertação. O corpo aguenta muito, mas o fim é sempre o mesmo, as maleitas derrotam o humano e este acaba debaixo de terra. Do pó vieste e ao pó hás-de tornar, é esse o destino que temos traçado em letras de fogo no Livro da Vida.

No meu blog principal -  https://nma-16429.blogspot.com/ - deixarei uma crónica mais alargada, aqui fica apenas a notícia para qualquer "raro" visitante que por aqui possa passar.

Descansa em paz, companheiro de muitas lutas, Albertino Veloso !!!

sábado, 3 de junho de 2023

Cada tiro cada melro!

 


Hoje realizou-se, em Loures, o funeral de mais um filho da minha escola e membro da CF2. Está acontecer tal e qual como acontece com as nozes, a casca escurece, começa a ficar enrugada, depois abre-se e deixa cair a noz no chão. O Braulio já tinha 83 anos, ou estava quase a fazê-los, portanto digamos que chegou a sua hora, foi na vez dele e de mais ninguém.

Nos primeiros meses de Marinha quase não nos cruzámos, pois a instrução era dada por pelotões e nós não pertencíamos ao mesmo. Mas depois de chegarmos a Moçambique tornámo-nos mais próximos. Quase todos os alentejanos e algarvios ficaram na caserna Nº 1 e eu na Nº 2, no entanto o Braulio, também ele algarvio, juntou-se a mim na Nº 2 e fomos camaradas de dormitório cerca de dois anos. Quase no fim da comissão eu fui destacado para o Niassa e ele ficou para trás, mas quando regressei, para prepararmos a partida para Lisboa, voltei a ocupar a minha antiga tarimba e a ser vizinho do Braulio.

O serviço de guarda que fazíamos a cada 3 dias, revezando-nos no posto de sentinela durante 24 horas, fez criar laços indestrutíveis entre camaradas. O Braulio não pertencia ao meu pelotão e no início da comissão não fazia serviços comigo, mas, a páginas tantas, para substituir algum "lesionado", veio para a minha secção e passámos a partilhar horas e horas de companhia um do outro. Ele ganhou a alcunha de «Rei do Sono», porque quando se punha a dormir não havia quem o acordasse, se o deixassem dormia 24 horas seguidas, mas nos serviços de guarda era o mais fiável de todos os camaradas, enquanto estava no posto nunca pregava olho.

E depois, havia ainda outra coisa que nunca esqueci, ele recebia, de vez em quando, encomendas enviadas pela família, onde não faltavam os figos e aguardente dos ditos, entre outras coisas mais apetitosas. Pois um Braulio nunca abria a encomenda sem me convidar para comer dois ou três figos e beber um trago daquela aguardente que tem um sabor indescritível.

O Braulio era um camaradão e um bom homem, nunca encontrei ninguém que afirmasse o contrário. Agora, recebeu a Guia de Marcha para se apresentar lá em cima, como acontecerá a cada um de nós, e só me resta desejar que descanse em paz e se houver outra vida para além da morte que a disfrute o melhor possível. A vida passa num piscar de olhos e dentro em breve lá estaremos todos juntos de novo!



sábado, 6 de maio de 2023

O Fragata!

 


Havia 3 "fragatas" na minha recruta, tal como havia também 2 "casapianos", rapazes que vinham de instituições que, ao chegar aos 18 anos os empurravam pela porta fora para dar lugar a outros. A Marinha era um destino natural para os fragatas que tinham passado a vida internados na fragata D. Fernando e Glória, fundeada no Mar da Palha, perto da Base Naval.

Os 3 camaradas que vieram fazer a recruta comigo, na Escola de Fuzileiros, foram baptizados com os nomes de Fragata (16273), Fragatinha (16451) e Fragatão (16452). Os nomes, melhor, as alcunhas, tinham a ver com a idade e o físico de cada um, além de o Fragata ter chegado 3 ou 4 dias mais cedo e agarrado logo a sua com as duas mãos. E dos 2 que chegaram a seguir, o Fragatinha era magrinho como uma espinha de carapau, enquanto que o Fragatão tinha um corpo bem musculado.

Passámos os primeiros 6 meses de Marinha juntos e seguimos depois para Moçambique incorporados na Companhia de Fuzileiros Nº 2. A meio da comissão o Fragata foi recambiado para a Metrópole por mau comportamento. Os dois restantes continuaram sempre juntos comigo, fomos para o norte de Moçambique, logo que estourou o terrorismo (como lhe chamávamos), andámos aos tiros contra a Frelimo e regressámos, ao fim de 30 meses, à Escola de Fuzileiros para frequentar o Curso de 1º Grau.

Acabado este, o Fragatinha e eu regressámos a Moçambique, ele porque estava embeiçado por uma moçambicana e eu porque ele me convenceu a acompanhá-lo para não ir sozinho. O Fragatão seguiu para a Guiné, uns meses mais tarde. Aí perdemos a companhia de um dos 3 fragatas, o outro tinha partido para o Canadá como pescador de bacalhau, assim fiquei só com um deles e não por muito tempo.

Terminada a comissão, o Valter decidiu passar à vida civil e ficar em Moçambique (ainda e sempre por causa da mesma catraia moçambicana) e bem me tentou convencer a ficar também, mas aí eu fui irredutível. Não é que eu não gostasse de Moçambique, mas não via que futuro me esperava ali. Acho que acertei na escolha, escapei de voltar como "retornado".

A partir daí cada Fragata seguiu o seu destino sem nunca de voltarem a cruzar, até que eu, depois de muitos esforços nesse sentido, os ter conseguido juntar de novo, em Montemor-o-Novo, no convívio do ano 2010. O Fragata veio do Canadá, onde se casara e ficara a residir, o Fragatinha veio de Sines, onde ficara a morar, após o seu regresso como retornado e o Fragatão veio de Albufeira, a sua terra natal, onde vivia reformado como oficial da Marinha.

Foi um reencontro animado, em que cada um despejou o saco das suas recordações e matou as saudades de muitos anos separados. O Valter continuei a vê-lo a cada convívio que eu próprio organizava, pois queria manter vivo o vínculo que criara com muitos amigos. O Domingos (era este o seu nome próprio) regressou ao Canadá com muitas promessas de voltar e participar nos convívios, promessas que nunca foram cumpridas e não sei se ainda é vivo ou já partiu para o Além. O Floriano também se ficou por Albufeira disfrutando da sua reforma de oficial da Marinha e não mais se apresentou aos convívios que eu, teimosamente, continuava a organizar a cada ano.

O Valter começou a ter problemas de saúde e acabou vitimado por um cancro do cólon, depois de vários anos a sofrer dessa doença sem se tratar convenientemente. Dizia ele que preferia ser escravo da doença que dos médicos que lhe iriam infernizar a vida para o manter na lista dos vivos.

Ontem, sucumbiu o Floriano, deixando-me aqui sozinho a pensar na vida, e na morte, e a agradecer a Deus por me ir deixando gozar a vida por mais algum tempo. Descansa em paz, Floriano, e faz boa companhia ao Valter até eu me voltar a reunir convosco!

sábado, 1 de abril de 2023

Notícia atrasada!

 

NMA - 16881
Na minha última publicação falei de vários camaradas que andam um pouco esquecidos e não me lembrei do Damásio, este alentejano dos olhos redondinhos que seguiu a carreira da Marinha, mas estacionou no posto de Cabo. Quase todos os filhos da nossa escola foram ao curso de sargentos e outros chegaram até a oficiais, mas ele não, arranjou um trabalhinho na Repartição que lhe agradava e por lá se deixou ficar até à reforma. Nunca se casou, vivia com uma irmã e a vida ia correndo da maneira mais sossegada que se possa imaginar.

Mas tudo tem um fim, a começar pela nossa vida que acaba sempre, sem apelo nem agravo, na morte que chega sempre de surpresa e nos leva com ela. Como não tinha notícias dele, há já bastante tempo, telefonei a outro camarada que mora na mesma zona e ouvi o que não queria. O Damâsio já faleceu em Maio do ano passado.

E não me resta outra alternativa senão riscá-lo da minha lista, uma vez que o S. Pedro o acrescentou na dele. Já está lá em cima esperando que toda a nossa Companhia se apresente na formatura, o que não demorará muito, a fila cada vez anda mais depressa. Que Deus lhe tenha reservado um bom lugar que ele não era mau rapaz. Que descanse em paz !  

quinta-feira, 23 de março de 2023

Era uma vez ...!

 

NMA - 8474.62

... um fuzileiro que hoje já não é mais, morreu!

Alentejano de nascença foi, com todos os seus conterrâneos, dormir para a caserna Nº 1, no Aquartelamento da Machava, quando a Companhia de Fuzileiros Nº 2 chegou a Moçambique. Acredito que não foi por acaso, eles apegam-se uns aos outros estejam onde estiverem.

Pois é e por aquilo que me lembro o Serafim era uma animação naquela caserna. Dava pela alcunha de Galguista por ter sido treinador de galgos, antes de ingressar na Briosa e só havia outro que rivalizava com ele na animação noturna, era o Mateus que dava pela alcunha de Custoidinha (nome mimado que dava à sua namorada que deixara na terra) que era algarvio e não deixava os seus créditos por mãos alheias. Eles os dois punham aquela caserna em polvorosa e justificavam as visitas frequentes do Cabo de Quarto para manter a ordem.

Tanto quanto sei, abandonou a Marinha pouco depois de termos regressado de Moçambique, na Primavera de 1965. E o seu principal emprego, senão o único, na vida civil foi como empregado da empresa de construção e reparação naval, a Lisnave. Se for verdade tudo aquilo que me contaram a este respeito, ele foi um dos mais bem sucedidos Filhos da Escola com quem convivi. Ele aprendeu bem o seu ofício e acabou numa posição cimeira, comandando e ajudando a entrar na empresa muitos fuzileiros regressados da guerra em África e necessitados de um emprego.

Depois de reformado, vivia na margem sul, Cruz de Pau, Feijó ou algo semelhante. Um café e um bagaço ou um copinho de tinto era tudo o que precisava para se sentir feliz. Só uma vez participou nos nossos convívios anuais, quando o organizei em Montemor-o-Novo. Depois de sairmos do paquete Infante D. Henrique, em Alcântara, foi a primeira e única vez que o encontrei, agora é impossível, pois repousa no cemitério da zona em que morava.

Foi um bom camarada e resta-me pedir a Deus que lhe reserve um bom lugar, lá no céu, em paga do bem que ele fez cá na Terra. Paz à sua alma !!!

quinta-feira, 15 de dezembro de 2022

Dois duma vez!

 

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Muitos dias sem publicar nada e hoje foram logo duas publicações. Uma para recordar o Rodrigues que não sei se é vivo ou morto e a outra para dar parte dos falecidos da Revista da Armada de Dezembro 2022.

O mais velho da nossa Companhia que resistiu a tudo e mais alguma coisa, nem a Covid-19 o vergou, recebeu, finalmente, a Guia de Marcha para a última viagem, 199548 - Sargento M - Joaquim Gomes. Deixou agora no primeiro lugar da fila o Sargento Monitor Albertino Veloso que vai carpindo as suas mágoas e falta de saúde no CAS  - Runa. Faço aqui uma ressalva, pois não tenho notícias do 2º Comandante Ilharco de Moura, mas diria que ele é mais novo que o Veloso.

O segundo comtemplado com uma Guia de Marcha para destacamento imediato foi o 472757 - Sargento Ajudante Artilheiro - Manuel António Lúcio que, tanto quanto me é dado saber, vivia em casa de um filho, na Quinta do Conde.

A título de curiosidade, atentem nos Números de Matrícula da Armada e as idades que a cada um correspondem. Joaquim Gomes 1995 = 94 anos; Albertino Veloso 3143 = 90 anos; M.A.Lúcio 4727 = 85 anos. O meu número é o 8079, espero que a malmvada demore ainda muitos anos até me fazer a indesejada visita.


Que descansem em paz é tudo o que me resta para dizer, nesta altura!

sábado, 10 de dezembro de 2022

A fila continua a andar!

 A realização da Festa de Natal da Associação de Fuzileiros serviu para eu tomar conhecimento da morte de um camarada que me era muito chegado. Costumávamos trocar um telefonema duas ou três vezes por ano e, como ele tinha as suas raízes em Baião, planeávamos encontrar-nos cada vez que ele viesse ao norte. Uma dessas visitas estava planeada para acontecer no fim do verão passado, mas não aconteceu e só agora descobri a razão, ele faleceu em 5 de Agosto passado. 


O Barbosa era de uma escola anterior à minha - Setembro de 1961 - mas por razões de saúde não pôde jurar bandeira com os seus camaradas de recrutamento e foi obrigado a repetir a recruta, o que o fez encontrar-se comigo na Escola de Fuzileiros, no mês de Março de 1962. E daí em diante andámos sempre juntos até ao dia em que eu regressei a Lisboa no fim da comissão da CF8, em Fevereiro de 1968.

Fomos juntos para Moçambique na CF2 e por lá passámos uns felizes 30 meses. Regressámos a Lisboa, a bordo do paquete Infante D. Henrique com paragens em vários portos pelo caminho. No último deles, Funchal da Madeira, fomos a terra juntos e nesse dia o Barbosa conheceu uma menina com quem viria a casar por procuração. Pouco interesse tem para a minha narrativa, mas esse casamento acabou mal e foi anulado com autorização do Papa por nunca ter sido consumado.

Em Vale de Zebro, fizemos juntos o Curso de 1º Grau no fim do qual nos voluntariámos para a CF8 que estava a ser preparada para seguir para Moçambique de onde tínhamos saído, há seis meses apenas. E fizemos mais 28 meses de comissão juntos, parte em Lourenço Marques e parte em Metangula, no Niassa, já com a guerra de libertação em pleno andamento. Fizemos algumas operações no mato, felizmente sem qualquer tipo de problema.

Passámos bons momentos na companhia de outros camaradas que também já faleceram - como o Valter, o Silveira ou o Paulino. Regressámos à capital de Moçambique por volta do Natal de 1967 e dois meses depois a Lisboa. O Barbosa e o Valter andavam embeiçados por duas moçambicanas e preferiram passar a vida civil e lá ficar com elas. Nenhum desses casamentos teve grande futuro e depois da independência ambos regressaram à Metrópole "solteiros".

Depois fomo-nos encontrando regularmente, nos convívios anuais, enquanto houve pernas para o fazer. E depois disso fomos usando o telefone para dar notícias um ao outro e falar dos amigos comuns ou lamentar a perda de algum deles, cada vez que um recebia a guia de marcha para a outra dimensão. O Valter era de Sines e para lá levou o Barbosa, quando regressaram de Moçambique. O Valter tinha falecido, há cerca de dois anos, e agora foi o Barbosa juntar-se a ele e ao Paulino para juntos ficarem à nossa espera, pois mais dia menos dia todos seguiremos o mesmo caminho.

quinta-feira, 12 de maio de 2022

Mais um que partiu!

 


Li, hoje, na Revista da Armada, a nota de falecimento deste meu camarada da Companhia de Fuzileiros Nº 2. Ano de incorporação 1956, 6 anos mais antigo que eu. Quando foi destacado para a minha Companhia, ele era Marinheiro Escriturário e, juntamente, com o Sargento Parreira eram os "donos" da Secretaria. Como o seu chefe também tinha já falecido, há um par de anos, encontram-se, agora, os dois ao serviço de S. Pedro. Espero que mantenham a papelada em ordem!

Correcção - em 12 de Maio de 2022


quarta-feira, 4 de novembro de 2020

É triste dizer adeus!

 


Mais um dos nossos camaradas da CF2 que fez as malas e abalou para a outra dimensão. Usei o verbo "abalar" de propósito, pois o Silveira era alentejano e na forma de linguajar das gentes do Alentejo é assim que se diz partir. E partiu ao fim de muitos anos de sofrimento, pois já lá vão 28 anos desde que sofreu o AVC que lhe fez a vida num inferno. Sofreu e fez sofrer a sua família e, de certo modo, é um alívio poder dar-vos esta notícia, finalmente ele pode descansar em paz.

Eu sei que ele ainda passou por Angola, no período da Guerra do Ultramar, e acho que também no período pós.independência, mas não conheço o seu percurso, desde que regressámos de Moçambique, em 1968. Fizemos duas comissões juntos, na Companhia 2 (primeira comissão 62/65) e na Companhia 8 (primeira comissão 65/68). Fomos bons amigos e partilhamos muitas aventuras, principalmente nos 4 meses que passámos no Niassa, quando rebentou o "Terrorismo", em Moçambique.

O Silveira, o Barbosa e o Valter formavam um grupo inseparável dos meus maiores e melhores amigos. O Silveira foi, agora, juntar-se ao Valter que tinha partido, há cerca de 2 anos, ficamos para trás o Barbosa e eu, veremos até quando. E quando eu abalar não haverá quem faça o relatório dos acontecimentos relacionados com a CF2, a primeira Companhia de Fuzileiros a chegar a Moçambique, em Outubro, Novembro e Dezembro de 62 (já que foi enviada por avião, um pelotão de cada vez e conforme as disponibilidades da Força Aérea Portuguesa.

Descansa em paz, Silveira !




sábado, 10 de outubro de 2020

Mais um que partiu!

 


Em Setembro, não saiu a Revista da Armada. Por causa das férias de verão a que todos têm direito, há sempre um número que não é publicado, umas vezes calha em Agosto outras em Setembro, como aconteceu este ano. Só hoje tive acesso à de Outubro e tenho procurado por ela todos os dias, desde que começou o mês de Outubro.

Verificada a lista dos falecidos, lá encontrei um dos meus camaradas da CF2, o Baltazar. Com alguma surpresa li que atingiu o posto de Sargento-Mor, enquanto que eu pensava (alguém me informou mal) que ele tinha chegado a 1º Tenente. Para o que interessa pouco importa, pois no caixão divisas ou galões têm o mesmo valor e lá em cima nada disso conta.

Na hora de lhe dizer adeus e desejar que descanse em paz, vem-me à memória o momento em que, nos primeiros tempos da nossa estadia na Machava, ele comprou uma cautela da lotaria que saiu premiada. Juntou os amigos mais chegados - como o Manuel Matias, por exemplo - e lá foram a Lourenço Marques levantar o prémio e festejar o acontecimento. Houve lugar a fotografia e tudo, da qual guardo uma cópia no meu álbum particular.

Ele era um graduado e eu um simples grumete. E como não fazíamos parte do mesmo pelotão não privamos muito e são poucas as recordações que tenho dele. De qualquer modo, venho cumprir o dever que a mim próprio impus de registar o seu óbito neste blog, na tentativa de que a notícia chegue até aos camaradas da Companhia e outros que o possam ter conhecido.

Descansa em paz, camarada Baltazar!


 

domingo, 3 de maio de 2020

Dever é dever!


Estar doente, durante anos a fio, é pior que estar morto, penso eu, embora acredite que haja quem não pense do mesmo modo. O nosso camarada Artur faleceu, há pouco, soube-o através da Revista da Armada. Ele sofria de uma doença incurável, há muitos anos, não reconhecia ninguém e era tratado pela mulher e uma filha, tal e qual como se fosse uma criança. Um tipo de vida que não desejo a ninguém e acho que devemos congratular-nos por, finalmente, Deus se ter dignado levá-lo para junto dele.
Que descanse em paz!