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terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Corrigindo erros antigos!


A «Marcha do Tempo»!

No antigo blog da CF2 (cujo link podem encontrar na coluna da direita deste blog) foram publicadas todas as fotografias que eu consegui arranjar, onde eu combinei a cara de antigamente com a cara de hoje, de todos os meus camaradas da Companhia de Fuzileiros Nº 2. A etiqueta sob a qual estão escondidas chama-se «Contrastes» ou « Marcha do Tempo».


Um desses camaradas, o Marcolino, contactou-me dizendo que as não consegue visualizar. Pode ser que me decida a publicá-las todas de novo neste blog, uma vez que o antigo, além de avariado, já está mais que esquecido. Por agora deixo aqui a do queixoso e vou convidá-lo a ler esta publicação, pois ele anda mais virado para o Facebook.
N.B. - Aproveito para pedir desculpa pelo erro no nome, onde devia aparecer Maria e não Matias, mas quis publicá-lo de novo tal e qual como o foi da primeira vez.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Os mais «Marretas»!

Na Marinha diz-se (e aplica-se na prática) que "a antiguidade é um posto". Em oposição ao "mais antigo" existe o "mais moderno" que na gíria da marujada muda para "mais marreta". Dizer que um camarada é mais marreta não quer dizer que seja considerado um "palermoide, um martelão, ou coisa parecida e ninguém toma isso como um insulto.
No dia do meu baptismo de fogo (emboscada da povoação do Lipoche, Niassa, Moçambique) era eu o chefe da minha esquadra de 4 homens só porque o meu número de matrícula era o 16429 e os meus 3 camaradas, com os números 16451, 16452 e 16480 eram todos mais marretas que eu e sendo eu o mais antigo era eu o chefe (olha eu aqui todo inchado!).
Tudo isto para compreenderem o título desta mensagem que se refere aos últimos membros da nossa Companhia de Fuzileiros. No início do ano de 1964, todos os Cabos da CF2 foram chamados a Lisboa para frequentarem o Curso de Sargentos. Uns quantos grumetes, da Escola de Março de 1963, foram enviados para os substituir refazendo os efectivos da Companhia. Vou mostrar-vos a cara deles para saberem de quem falo.

Por curiosidade posso dizer-vos que este simpático
filho da escola, entre nós conhecido pela alcunha de
Micróbio, devido à sua baixa estatura, depois de sair da
Marinha, ficou a morar em Vila Pouca de Aguiar,
trabalhou como empregado da Câmara e ali veio a
falecer, já depois de reformado.

Sei apenas que vive nos Estados Unidos, na zona
de Newark, e foi com muita dificuldade que eu
consegui estabelecer contacto com ele e obter a
foto (de qualidade duvidosa) que vêem acima.

O Bonanza, alcunha ganha pela semelhança com
um dos personagens da famosa série da TV, que
era oriundo do Porto e reside actualmente do
outro lado do Douro, em Gaia.

Um artista da bola este filho do meu concelho de Barcelos.
Passou a vida como emigrante no Luxemburgo, teve a
desgraça de ver a mulher e filhos adoecerem com a
terrível "doença dos pezinhos" e depois de viúvo
teve ainda o azar de sofrer uma trombose que o
deixou muito incapacitado.

O grande Albertino que me acompanhou na aventura
em Metangula seguiu a carreira da Marinha, atingindo
o posto de Cabo e faleceu precocemente sem eu ter
descoberto exactamente de que doença.

O Vitorino era oriundo da margem esquerda do rio
Douro, de uma aldeia fronteira à Régua, e ali o fui
encontrar 45 anos depois de regressarmos da nossa
comissão em Moçambique.

O Artur, transmontano da região de Valpaços, era
conhecido pela alcunha de Twist, talvez por se
habilitar a executar alguns passos dessa dança que
estava na moda nos anos 60. Fez a sua vida como
emigrante na Suíça e lá vive ainda como reformado.

O Zé Correia, por alcunha o Ruço, é meu vizinho aqui
da Póvoa e por mais estranho que isso possa parecer
nunca tive conhecimento disso, enquanto estivemos
na Marinha. Só quando comecei a tentar localizar todo
o pessoal vim a descobrir que morava aqui mesmo ao
pé de mim. Também ele, assim como o Micróbio, o
Bonanza e o Albertino fazia parte do pelotão que foi
para o Niassa no início da guerra (Setembro/64).

terça-feira, 29 de abril de 2014

Últimos filhos da escola!

Quase na recta final para ter neste blog todas as fotos (que consegui reunir) do pessoal da CF2, começo com o repescado Galveias de quem me tinha, lamentavelmente, esquecido. A razão para o meu esquecimento prende-se com o facto de eu ter seguido uma lógica de graduação/antiguidade, começando com os Sargentos, continuando depois com os Cabos e Marinheiros e passando por cima do Galveias que, sendo da Taifa, escapava um pouco a este conceito.


Não vos sei contar muito sobre o Despenseiro da nossa Companhia. Quando reuni, pela primeira vez, os meus camaradas, no ano de 2008, ele era já falecido. Em Moçambique, por razões que têm a ver com a idade, com o posto e a diferente missão de cada um de nós, nunca convivemos um com o outro. Às 06.30 horas, todos os dias, seguia ele para o Mercado de Lourenço Marques para providenciar aquilo com que eram confeccionadas as refeições dos oficiais e sargentos da CF2. O toque de Alvorada para nós era apenas às 07.00 horas e já ele ia longe quando abríamos os olhos.
Uma vez reparada a minha falta relativa ao esquecimento deste camarada, é agora a altura de publicar as fotos dos últimos 5 filhos da minha escola que compunham a nossa Companhia, a primeira a pisar terras de Moçambique por conta da Guerra Colonial que não tinha ainda deflagrado, mas que se adivinhava próxima.






Supostamente serão todos da região de Lisboa e Vale do Tejo, mas não tenho a certeza absoluta. O Trincão, entre nós conhecido pela alcunha de Conquistador, é o que me é mais próximo, porque repetiu a comissão comigo na CF8. Era da Golegâ, compareceu ao nosso primeiro convívio já numa cadeira de rodas e faleceu pouco tempo depois. O Raimundo era de Tomar e o Faria era de Xabregas/Lisboa, o que lhe garantiu a alcunha de Xabregas para toda a vida.
Do Cabral e do Vieira pouco vos sei dizer. Acho que o primeiro era empregado na Indústria Hoteleira, em Lisboa, e depois seguiu a carreira da Marinha ficando a morar na margem esquerda do Tejo até à hora em que a morte decidiu levá-lo para a outra banda.
O Vieira era electricista e a ele ficamos a dever uma parte da instalação eléctrica das nossas instalações na Machava que estavam ainda por acabar quando ele lá chegou. Depois da comissão saiu da Marinha e aplicou-se aos estudos conseguindo um canudo de engenheiro na sua especialidade. Desenvolveu a maior parte da sua actividade profissional na Alemanha e quando regressou a Portugal deixou lá um filho, já com um canudo de engenheiro igual ao do pai, a ocupar o seu posto. A última vez que tive notícias dele era o engenheiro responsável pelas redes eléctricas do aeroporto de Frankfurt.
E tendo-vos contado tudo o que sei, mais não posso acrescentar!

sábado, 26 de abril de 2014

Os Coimbrões!

Depois de muito conferir, descobri que me tinha esquecido do Galveias, o Despenseiro da nossa Companhia (esquecimento desastroso, pois sem ele e o Cabo do Rancho muita fominha teríamos que rapar) e também do Agostinho Simões que, vá lá saber-se porquê, nem no ficheiro existia. Parti à procura e entre os discos duros de 3 computadores e mais uns quantos CD's, onde guardo antigos ficheiros de trabalho, lá as fui desencantar.
Deixando para trás o Galveias que será incluído no próximo grupo, vou juntar ao Agostinho mais 3 camaradas oriundos da zona de Coimbra e assim terei um grupo homogéneo, embora juntando camaradas de duas escolas distintas, a de Março e a de Setembro de 1962.

Vizinho do Salazar era este filho da escola
que depois da Marinha emigrou para a
Alemanha e me vi grego para descobrir
quando, em 2008, meti ombros ao trabalho
de reunir a Companhia 2

Embora sem certezas, julgo saber que este amigo
foi nado e criado na cidade dos estudantes.
Em caso de engano, fico á espera de um
comentário a rectificar o meu erro.

Duas particularidades a respeito do Arlindo.
Além de ser quase vizinho do meu instrutor
da recruta, o Sargento Manuel Bicho, foi o
segundo a render um membro da CF2 que teve
que regressar a Lisboa antes de tempo,
o Cascalho. Antes dele já o Ladeira fora
render o Fragata (Peniche).

O Henrique veio de Oliveira do Hospital e tal como o
Arlindo pertencia à escola de Setembro. Foi o terceiro nas
rendições individuais e eu não tenho memória disso, mas
só pode ter ido render o meu amigo Arménio Guerra
que também regressou antes de tempo e eu nunca descobri
porquê. Razões de saúde, talvez.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Alentejo da minh'alma!

Depois dos minhotos, durienses, transmontanos e beirões, chegou a vez dos alentejanos. Infelizmente não conheço tão bem como dos outros grupos as suas origens e pormenores do dia-a-dia, mas aquilo que sei deverá ser suficiente para complementar as fotografias que se seguem.

Zé Pintado para os amigos, de Campo Maior veio ele
e para lá continua a correr sempre que pode
uma vez que depois da Marinha
ficou a viver no Barreiro

O Serafim, conhecido pela alcunha de Galguista,
era de Arraiolos se me não engano. Era a alegria
da caserna com o seu toque da Alvorada
de modo "muito pessoal".

De Alcáçovas é oriundo este homem que
dedicou a sua vida por inteiro à cozinha.
Foi o faxina da cozinha enquanto durou
a comissão e concorreu depois ao quadro
da Taifa.

Muito bom rapaz o Manuel Bernardo
 seguiu a carreira da Marinha e morreu
já há bastantes anos vítima de cancro
sem ter deixado qualquer família

O Damásio só chegou ao posto de Cabo,
nunca se casou e vive hoje sozinho na
zona do Feijó.

Chama-se Bento e juraria que é oriundo
da Aldeia de S.Bento. Seguiu a carreira da
Marinha, é Sargento reformado e vive
actualmente no Barreiro

Grande amigo Enteiriço! Fez comigo 2 comissões
em Moçambique e nem sei qual é a sua terra natal.
É também Sargento reformado, tal como o Bento
mas vive do outro lado da baía do Seixal, na
Cruz de Pau (terra de muitos fuzileiros)

terça-feira, 22 de abril de 2014

Os Beirões!

Quando nos referimos às Beiras, ou aos Beirões, estamos a incluir a Beira Alta, a Beira Baixa e a Beira Litoral num só pacote para simplificar as coisas. Pois, o meu próximo grupo de camaradas da CF2 é todo ele constituído por beirões, ou melhor dizendo devia ser, pois há uma excepção no grupo. O Manel Gonçalves, transmontano de Macedo de Cavaleiros, esqueceu-se de aparecer na inspecção no dia que lhe foi marcado e foi, mais tarde repescado com os beirões recebendo um número de matrícula quase 200 acima do que devia ser. Nas minhas contas o número que lhe calharia, se tivesse sido inspeccionado no dia que lhe tinha sido designado, seria antes ou depois do Rafael que recebeu o número 16591.
É também destes pormenores que a nossa história é feita e por isso o menciono aqui. E já que falo nisso, lembrei-me agora que não falo com o Gonçalves há quase um ano e nessa altura ele não andava muito bem de saúde. Problemas de vista a necessitar de intervenção cirúrgica, se me não engano. Tenho que lhe ligar para saber como evoluiu essa situação.

O, infelizmente já falecido, Rodrigues que me deu uma
enorme trabalheira a descobrir por ter o alelido de
Cardosa em vez de Cardoso.
De Castelo Branco era ele oriundo

De Almoster, próximo de Pombal, veio o
Rosa da Silva que fez grande carreira
como bancário depois de sair da Briosa

Quase da mesma zona era o nosso acordeonista
que não deixava ninguém dormir na caserna
sempre agarrado ao rilha-foles

O Homem de quem se fala que ficou muito
mais "marreta" na Marinha por se ter
atrasado na inspecção médica

E da Sertã veio o Ângelo, um belíssimo camarada
com quem se podia contar em qualquer aperto

E este lote não ficaria completo se lá faltasse o
Sabugal, assim conhecido por ter nascido nessa
histórica cidade da Beira Alta

Quase vizinho do Salazar, o Brandão veio para a
Briosa representar o concelho de Tábua e
dar brilho à CF2 com a sua personalidade

Dos contrafortes da Serra da Estrela veio o Garcia
que com o seu falar característico se tornou mais
conhecido que o feijão frade

E das alturas do Caramulo veio o Lícinio que me fez
companhia em Moçambique nas duas comissões
tempo suficiente para nos termos tornado
muito bons amigos

sábado, 19 de abril de 2014

Um bom lote de algarvios!

Depois de um curto interregno, para não tornar estas publicações muito maçudas, é hora de voltar às fotografias dos meus camaradas da Companhia.

De Lagos veio o Amadeu e não sei o que seria de nós
sem os seus dotes de costureiro para nos ajustar as
fardas ao corpo de cada um.

Do Braulio só me lembro daquela que foi a sua
mais famosa citação e que rezava assim:
Eu só tenho duas velocidades,
a primeira é devagar e a segunda parado!

De Quarteira chegou o «Gato» com a sua mania
de andar sempre de cabelo rapado à gilette.

E ao grande Camarada de Vila Real
basta-lhe o nome.

Bom rapaz, o Rodeira, oriundo de Porches,
perto de Lagoa, que nunca deixava mal
um amigo, fosse ele algarvio ou não.

E de Loulé veio o Zé António, um camarada
às direitas. Nem parecia algarvio, digo eu para
pegar com os algarvios como era nosso costume
nos velhos tempos da nossa juventude.

terça-feira, 15 de abril de 2014

Malhar em ferro frio!

Quem conhece a arte de ferreiro sabe que não vale a pena malhar em ferro frio, pois ele não estica nem se deixa moldar. A falta de comentários às minhas últimas publicações faz-me sentir um pouco como um ferreiro que não se deu ao trabalho de acender a forja e se queixa que o trabalho não lhe corre bem.
Pois, vou ver como está o meu stock de carvão, buscar a caixa de fósforos e certificar-me que desta vez não há falhas. Ou se as houver, que não sejam da minha responsabilidade.

De uma terra que fica poucos kms a sul do
rio Douro e no litoral português saiu o Magalhães
que depois de ter cumprido o tempo de
Marinha a que era obrigado procurou o seu futuro
em França, de onde regressou apenas
depois de se ter reformado.

De Valongo, terra de padeiros e da regueifa
veio o Salvador que em Metangula foi
o melhor padeiro do mundo. Com o Manel
Enteiriço como ajudante nunca deixou que
o pãozinho fresco nos faltasse à mesa
do pequeno almoço.

Do concelho de Almeida, lá na raia espanhola,
veio o Monteiro com o seu modo característico
de falar que punha em pé o cabelo dos
alentejanos e algarvios da CF2.

Da terra mais fedorenta de Portugal,
por culpa da fábrica do papel, saiu o
Paula que descobriu no Luxemburgo
o seu Eldorado.

Vizinho do Paula era o Bustos, assim conhecido
por ser esse o nome da sua terra e que com
a sua habilidade de mexer na bola foi o
Cristiano Ronaldo da nossa Companhia.

A lista de hoje é curta, mas a culpa não é minha. Como disse na minha mensagem anterior, as inspecções médicas e as admissões na Marinha de Guerra seguiam uma certa norma que não sei explicar, mas que de Aveiro saltaram para o Algarve, fazendo com que o próximo camarada tenha vindo de Lagos e não os quero misturar.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

E agora... os recrutados!

A chamada para as inspecções médicas na Marinha era feita por distritos e concelhos, o que resultava em numerações próximas entre aqueles que eram originários de uma mesma zona do país. Isso ajuda-me nesta publicação, pois seguindo a ordem numérica tenho os filhos da escola organizados (mais coisa menos coisa) por regiões.
O mais antigo dos grumetes recrutas era o Agostinho Verde (16523) e vamos portanto começar com ele. Oriundo do concelho de Lousada, a norte do rio Douro, fazem-lhe companhia todos aqueles que nasceram no norte de Portugal, mesmo a norte do Douro, com excepção do João Manuel Azevedo (Foz Coa) e do Joaquim Correia Pinto (Lamego).

Lousada

Baião

Montalegre

Vila Pouca de Aguiar

Melgaço

Alijó

Foz Coa

Lamego

Vila Flor

Mirandela

Carrezeda de Anciães

Com números de matrícula entre o 16523 e 16593 aqui está o primeiro lote de camaradas da CF2. Em breve seguir-se-ão outros também do norte, mas já da margem sul do Douro.